saí do trabalho e fui direto para o metrô, com meia hora de atraso e o celular quebrado em casa. esperei. e nada da tal amiga do trabalho. saindo do metrô, passou um ex-funcionário do mesmo trabalho. expliquei a ele minha situação e ele me aconselhou a aproveitar a minha noite, com ou sem amigos. disse que faltavam três minutos para o fechamento das catracas. que estava nas minhas mãos. sem um destino próprio, peguei o metrô. talvez fosse até o boteco combinado procurar a tal amiga, mas a idéia de uma balada me seduzia mais. decidi ir para a linha verde, toquei o foda-se por estar sozinha. um conhecido que era caixa do supermercado do shopping onde eu trabalhava estava na mesma estação onde desci. o cumprimentei e ele me convidou para um lugar que eu não conhecia. topei, tendo somente a cautela de perguntar se meninas freqüentavam lá. melhor prevenir.
mal chegamos na fila e bati o olho nela: vestida inteirinha com roupas de surf, o que nunca me interessou minimamente. mas ela era linda e me olhava também. entramos num local tão lotado que até fazia o cérebro sufocar, e acabamos nos perdendo. era óbvio que não nos veríamos novamente, de tanta gente que nos rodeava. mas assim que entrei, fui até a fila do banheiro acompanhar o menino que me levou e lá estava ela.
eu sou um absurdo de tímida, e na época era infinitamente mais. mas não sou boba. fiquei o mais próximo que pude dela, tentando ficar no campo de visão. ela veio falar comigo na hora. eu só pensava que era impossível uma mulher no estilo dela se interessar por uma menina de cabelo raspado, camisa xadrez, jeans e all star. "você é linda. vamos beijar?". foi tudo o que ela me disse. foi tudo o que foi preciso para me conquistar - isso, e os olhos castanho-esverdeados que me olhavam com carinho.
e o primeiro beijo foi especial. não foi um beijo de balada. parecia que nós duas sentimos que estávamos encontrando nossas almas gêmeas. no meio da música eletrônica. a gente só não soube traduzir o sentimento. muitos beijos, andar de mãozinhas dadas, cervejinhas e marlboros light acompanhados de conversas de fumódromo do tipo "você-trabalha-com-o-quê" e "você-é-careta-não-eu-fumo-um" (mesmo só tendo fumado maconha duas vezes na vida, tinha que fazer a junkie né) depois, eu queria trazê-la para casa e não deixá-la ir mais embora. e ela queria o mesmo.
eu estava no processo de morar sozinha, o que significava que meu quarto-cozinha não tinha nada. nem um colchão. nem chuveiro, cinzeiro ou pia. nada. ela morava com um amigo, em outra cidade. portanto, teríamos que dar beijinho de tchau e torcer para a outra ligar no dia seguinte. e eu sem celular, mas ainda assim passei o número do mesmo para ela. nos despedimos às sete da manhã, fui para casa dormir para trabalhar. feriado de sábado no qual você precisa trabalhar é muita sacanagem.
milagrosamente, meu celular ligou na tarde seguinte. e havia ligações perdidas dela desde as nove e meia da manhã (!!). saudades. eu também. vamos nos ver, então.
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